Entre o discurso e a realidade: Conferência de Educação expõe contradições e reforça urgência por valorização em São José dos Pinhais

A 7ª Conferência Municipal de Educação de São José dos Pinhais, realizada nos dias 23 e 24 de abril, foi marcada por um contraste evidente: enquanto o discurso oficial enfatizou avanços e planejamento para o futuro, a realidade vivida pelos profissionais da educação segue marcada por desafios estruturais e falta de valorização.

O encontro reuniu poder público, trabalhadores da educação e sociedade civil para avaliar o Plano Municipal de Educação (PME 2018–2025) e discutir as diretrizes do próximo ciclo. Ao longo da programação, foram debatidas metas relacionadas à educação infantil, ensino fundamental, inclusão, gestão democrática e financiamento.

No entanto, para além das falas institucionais, o cotidiano da rede municipal, já amplamente denunciado pela categoria, evidencia um cenário distante do que foi apresentado.

Participação e contradições

A própria dinâmica do evento revelou parte dessas contradições. Realizada em período integral, a conferência contou com uma estrutura mínima de acolhimento aos participantes, com oferta restrita a café e bolachas durante o coffee break.

Diante disso, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José dos Pinhais (SINSEP) levou, por iniciativa própria, alimentos para compartilhar com os presentes, um gesto de solidariedade entre trabalhadores, que também evidencia a falta de estrutura adequada em um espaço que deveria valorizar a participação coletiva.

“Plano de Carreira Já”: a pauta que atravessou a conferência

Durante a conferência, filiados ao SINSEP marcaram presença com camisetas estampando a frase “Plano de Carreira Já!”, levando para dentro do debate uma das principais reivindicações da categoria.

A manifestação reforça a urgência de um tema que, embora essencial para a valorização dos profissionais da educação, seguia sem encaminhamento concreto por parte da gestão municipal.

Moção cobra ação imediata da Prefeitura

Como parte da participação na conferência, representantes do SINSEP apresentaram uma moção que denuncia a paralisação do processo de revisão do Plano de Carreira da Educação.

O documento aponta que, apesar do compromisso assumido pela Prefeitura entre o final de 2025 e o início de 2026, até o momento:

  • não houve instalação efetiva da comissão de revisão;
  • não foram divulgados os representantes ou critérios de escolha;
  • não existe calendário de trabalho;
  • não há transparência sobre o andamento do processo.

A moção também chama atenção para o fato de que o atual plano de carreira está baseado em uma estrutura de 2004, considerada defasada diante das demandas atuais da educação pública.

Entre os principais pontos defendidos estão:

→ valorização real dos profissionais da educação;
→ revisão da estrutura de carreira e da tabela salarial;
→ garantia de progressão funcional justa;
→ adequação da jornada de trabalho;
→ reconhecimento de todos os trabalhadores da educação, incluindo profissionais da educação infantil e equipes de apoio.

Ao final, o documento é enfático ao afirmar que a revisão do plano de carreira é uma “urgência inadiável”.

Leia na íntegra: Moção pelo Plano de Carreira

Próximo plano precisa sair do papel

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o próximo passo será a construção do novo Plano Municipal de Educação, com previsão de envio de projeto de lei ainda este ano.

Para o SINSEP, no entanto, não basta repetir o ciclo de diagnósticos e promessas.

Sem enfrentar questões estruturais, como carreira, condições de trabalho e valorização profissional, qualquer novo plano corre o risco de se tornar apenas mais um documento formal, distante da realidade das escolas.

A educação pública de qualidade exige mais do que planejamento: exige compromisso concreto com quem faz a educação acontecer.